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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Programa Parnamirim Musical movimenta cena artística da cidade



 Projeto incluiu incubadora de artistas, shows e oficinas voltadas à produção musical
A cena musical de Parnamirim acaba de ganhar um programa para chamar de seu. A Fundação Parnamirim de Cultura lança no próximo dia 04 de julho o Programa Parnamirim Musical. O projeto é focado na formação e difusão dos artistas da cidade e vai atuar em diferentes frentes na área. “O Parnamirim Musical é um programa especial para a Prefeitura de Parnamirim porque ele é focado na criação e na produção musical dos nossos artistas, gerando uma cena da música alternativa no município além de unir formação e difusão cultural numa mesma proposta”, diz Haroldo Gomes, presidente da Fundação Parnamirim de Cultura.
Na parte dos shows o projeto prevê a continuidade do “Som do Beco”, tradicional ponto de encontro de músicos da cidade e que foi realizado durante todo o ano passado com bastante sucesso de público e crítica, recebendo inclusive artistas internacionais da Alemanha, França e Chile junto com bandas do município. Além do “Som do Beco” também fica garantido um espaço para o rock e novas tendências da música pop durante o carnaval de 2016.
            Na parte de formação, o Programa Parnamirim Musical vai oferecer oficinas sobre gravação e divulgação de áudios, gestão de carreira e circulação de produtos culturais, divididos em quatro módulos específicos, todos oferecidos gratuitamente à comunidade artística da cidade.
            Completa ainda o programa o registro de cinco EPs de bandas de Parnamirim, com todo o processo de gravação, mixagem e masterização dos áudios pagos pelo projeto e ainda a divulgação dos trabalhos nas plataformas online como Spotify, Deezer, Rdio, Itunes, GooglePlay, entre outras.
Os artistas de Parnamirim participantes das atividades serão selecionados através de chamada pública que será divulgada a partir de 04 de julho no Facebook da Fundação de Cultura e nas demais redes sociais da prefeitura. “Consideramos o programa um vital avanço para os artistas do município, são poucas cidades que tem programas específicos para música e sem dúvida é uma vitória da classe. Tomara que tenhamos êxito nesse primeiro ano para garantir a continuidade do projeto por mais tempo”, fala Anderson Foca da Associação Cultural Dosol, que é um dos coordenadores do projeto.
 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Por uma política cultural dos espaços


 por Haroldo Gomes
Há cerca de um ano e meio, quando a Prefeitura de Parnamirim, através de sua Fundação de Cultura, chegou ao Beco do Picado, ele estava sendo chamado, por muitas pessoas, de “Beco do Mijo”. Muitos diziam que estávamos perdendo tempo. Começamos com pequenas ações e uma referência: fugir de uma política de “eventos” temporários ou de uma política de valorização de pessoas e lugares mortos para uma política cultural de criação de espaços. Mapeamos alguns na cidade: um deles, o Beco do Picado, por sua referência histórica e cultural.
Com base no historiador francês Michel de Certeau, que diferencia espaço de lugar, considerando que “o espaço é um lugar praticado”. Por exemplo, um beco urbanizado pela Prefeitura é transformado em espaço pelas pessoas que o frequentam, que o praticam. O espaço é vivo. É interessante encontrar as pessoas na sexta-feira e ouvi-las dizer: “e hoje, não tem beco, não”?
A cidade é feita de espaços e a cultura vive da criação destes espaços. Heterotopias, navios em alto mar. Vivos, eles se tornam lugares de encontro. Deixam de ser daquele território fixo (da cidade, do estado...), deixam inclusive de ser um lugar estático para se tornar um espaço imaginário, virtual. Existindo o espaço, flui a produção cultural, que não precisa ser apenas “local”. A noção de “local” reduz o espaço, estrangula a possibilidade dele ser cosmopolita, de dialogar com o mundo.  No formato atual, o Beco do Picado não foi criado para ser uma ilha, mas para ser um ponto de encontro e de acolhida. Por consequência, um espaço que se abre para todos os artistas, de todas as linhas, vertentes e matizes como, também, de todos os lugares. Mas, fundamentalmente, um espaço a ser praticado e reconhecido pelos bons encontros, pela alegria e pela capacidade de nos fazer a todas, pessoas melhores.